sábado, 3 dezembro 2022
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Duda Brack

Com participações de Ney Matogrosso, BaianaSystem, Lúcio Maia (Nação Zumbi), e Cuca Ferreira (Bixiga 70), o segundo álbum de estúdio da cantora e compositora gaúcha Duda Brack através dos selos Matogrosso e Alá

“Caco de vidro” é a narrativa do estilhaço. O disco é o canto da vitória de uma artista e de uma mulher que passou por muitos processos de cura, transformação e amadurecimento de 2015 pra cá. Depois de uma crise de depressão em 2016, de cogitar desistir da carreira, de desilusões amorosas e relações abusivas, a cantora, hoje, transborda potência e autenticidade com um som impactante.

Produzido pela própria Duda  em parceria com Gabriel Ventura, as faixas do álbum passeiam por vários ritmos brasileiros e latino-americanos como pagodão, cúmbia, folk, funk e rock. O resultado é uma verdadeira avalanche musical que a cantora traz de forma POP e bastante autêntica.

“É um disco extremamente feminino e também feminista. Num contexto subjetivo, fala de muitos fins de ciclos na minha vida, e sobretudo de um processo de superação e retomada de poder pessoal. Já no contexto coletivo, traz provocações a respeito do momento sociopolítico que estamos atravessando no Brasil. Por isso se chama ‘Caco de Vidro’, no intuito de afirmar que toda ruptura é uma chance de renascer, transmutar e evoluir. Me sinto adentrando um novo ciclo, um ciclo de recomeços, onde tudo está mais solar e em que me vejo muito mais forte, mais firme e mais consciente a respeito do meu próprio caminho, apesar de todas as chagas que temos atravessado”, analisa.

E isso fica claro nas dez faixas em que Duda desfila seu talento com maestria, como cantora, como compositora e até como atriz nós já lançados clipes de “Pedalada” e “Toma essa”. Duda Brack é da arte. Isso é notório no seu som, no seu tom, nos seus trejeitos e na eloquência da construção de cada pedacinho de “Caco de vidro”.

“Enxergo este álbum como um pop experimental que bebe da fonte da MPB e da minha ancestralidade latina”, afirma. “Minha vontade é construir algo perene, que faça sentido daqui a dez anos, e não se dobre a indústria de “fast-musica”, que hoje domina o mercado, mas que, ainda assim, possa dialogar com ela também, de igual pra igual. É um disco bem louco, onde faz sentido trazer toda essa diversidade rítmica. A arte é um lugar onde tudo pode e o que não pode, deve! Meu propósito é bagunçar, sacudir, misturar. Assim a gente vai expandindo o mundo e criando novas sensações”, acredita a cantora.

Duda faz tudo soar corajoso, ousado e contemporâneo. Ela acha Anitta, Billie Eilish e Björk maravilhosas. Adora Shakira e Radiohead. Ouve Timbalada e Paco de Lucía num mesmo dia, e busca trazer toda essa mistura sonora frenética para seu som. Num momento em que o mercado parece saturado com produções cada vez mais parecidas, a gaúcha escolhe arriscar. “Quero botar o povo para dançar, chorar, rir, cantar junto, mas principalmente para refletir, porque acredito ser esta a função política do artista na sociedade”, pretende.

Ela já está acostumada a impactar. “É”, seu disco de estreia, foi um sucesso de crítica, figurou entre as principais listas de melhores do ano, levou a artista para importantes festivais pelo país, e a consagrou como uma das vozes mais marcantes da nova cena. “Meus dois discos se assemelham numa afirmação estética de autenticidade, criatividade e sonoridade. Na busca de fazer algo que soe novo e fresco”, opina. “‘Caco de Vidro’ é mais abrangente, mais pop, contudo ainda se mantém num lugar de som extremamente autêntico”, conclui.

Que bom que a arte foi mais forte do que a tristeza na vida de Duda. E “Caco de vidro” nos enche de alegria por nos fazer enxergar que temos uma cantora tão especial no panteão de vozes que irão ecoar por muito tempo na música brasileira.

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Dia 17 de setembro é aniversário da cantora e compositora Duda Brack. E ela se deu (e nos deu) o presente de unir BaianaSystem e Ney Matogrosso no seu single, “Ouro lata”. A faixa faz parte do segundo álbum de estúdio da gaúcha intitulado “Caco de vidro”, que chega em outubro através dos selos Matogrosso e Alá com distribuição da Altafonte. Um visualizer criado por Pink & Cérebro em parceria com Máquina de Louco a partir de fotos de Gabriel Castilho acompanha o lançamento.

Composta por Duda, “Ouro lata” foi inspirada no livro AS VEIAS ABERTAS DA  AMÉRICA LATINA – do escritor uruguaio Eduardo Galeano – e incita temas que ela considera urgentes e carentes de diálogo, como a exploração do meio ambiente e a desigualdade social. “Traço um paralelo entre a colonização da América Latina e o neocolonialismo camuflado de democracia, vigente nos dias de hoje. No entanto, o desfecho da canção enaltece a habilidade social e, sobretudo, cultural que o Brasil tem em fazer das latas o ouro, apontando a criatividade não só como forma de resistência política, mas também como caminho para a construção da soberania de uma nação”, explica a cantora.

A produção musical e o arranjo, assinados pelo BaianaSystem, dão contorno ao diálogo entre a ancestralidade e a contemporaneidade que a música propõe transitando pelo funk do morro carioca, o samba, o afrosamba e o ijexá. Nos vocais, a visceralidade do canto de Ney e Duda, ora se fundem, ora se contrapõem, interpretando uma mensagem densa, apesar da ironia travestida de leveza que em alguns momentos se apresenta. Tudo isso num ritmo extremamente envolvente, bem ao estilo do Baiana.

“Eu e Ney já estamos conectados desde o álbum ‘Primavera nos dentes’ (projeto criado por Charles Gavin com canções dos Secos & Molhados, que teve Duda como vocalista) e desde então essa amizade só cresce. Não imaginaria este disco sem ele e como ele tem esse discurso latino americano muito forte e está ligado a questões ambientais, achei que teria tudo a ver. E o Baiana também tem esse discurso latino americano bem potente. Eu sou muito muito fã e a gente vem trocando muitas ideias desde 2018. Daí me ocorreu juntar todo mundo nessa espécie de canto da revolução”, conta Duda.

“Ouro lata” é mesmo um hino contemporâneo. E criado a partir do encontro de artistas de diferentes gerações que se inspiram e se admiram mutuamente. E o resultado promete mexer o corpo e chacoalhar a mente dos ouvintes. “Ficou muito melhor do que eu podia imaginar”, resume Ney.


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