segunda-feira, 6 dezembro 2021
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Academia da Crise

Uma vida dupla, ou seja, no trabalho e no amor. Assim tem sido o dia-a-dia do casal Cássio Reis e Fernanda Vasconcellos. A dupla está em cartaz até este domingo em Salvador, no Teatro Isba, às 20h, com a peça “Enfim, nós”. O espetáculo escrito por Bruno Mazzeo e Claudio Torres Gonzaga trata da cumplicidade de um casal vivendo uma atípica noite de Dia dos Namorados, confinados em um banheiro, onde passeiam de forma leve e engraçada pelas questões que envolvem o relacionamento a dois. A peça que já foi encenada pelo próprio Mazzeo junto com outra Fernanda, no caso a Rodrigues e também por Maria Clara Gueiros e Ricardo Tozzi, tem mais de dez anos e permanece atual. Batemos um papo pra lá descontraído com o casal, recheado pelas delícias do restaurante Paraíso Tropical e as interferências pra lá de engraçadas do chef Beto Pimentel.

 

SiteUR:  A peça “Enfim, nós”, discute entre outros temas, a monotonia do casal. Vocês moram juntos e trabalham juntos. Como fazem para que a rotina não desgaste a relação?

Fernanda Vasconcellos: Exercitar o seu profissionalismo e sua individualidade, ajuda para que as coisas não se misturem. A gente viaja muito e ainda convive diariamente, por isso que precisa respeitar o limite do outro e quanto mais profissional você for, mas o projeto tende a ganhar e a relação se firmar. Eu acredito em profissionais e se você deixa um coisa afetar a outra, você está errando como profissional. Eu não admito, pode ser que aconteça, mas primeiro vai passar pela minha razão do que a minha emoção. Precisa ser racional.

Cássio Reis: Saber separar a individualidade e quando estiver no palco, camarim, no avião e em casa. As vezes o humor não está legal, mas quando entra no palco é algo tão bem feito, estudado e consciente que você esquece qualquer problema.

Fernanda Vasconcellos: A gente trabalha com improviso, mas temos um texto a seguir…

Interrompidos pelo Chef Beto Pimentel: Tenho uma namorada nova. Sabem o nome que coloquei nela? Mamona, por que ela dá em qualquer matinho (risos geral),

SiteUR: Fernanda, você já veio em Salvador outras vezes, mas nunca para o Carnaval. Qual a sua relação com a cidade?

Fernanda Vasconcellos: Adoro.  Acho que o público daqui não escamoteia o sentimento dele, isso faz com que o ator que está no palco se solte,  por que ele não vai munido de nenhum tipo de preconceito ou uma barreira sentimental. Ele vai aberto para se entreter, para se apaixonar, para gostar e para não gostar. Isso é muito bom para o ator, por que você tem uma plateia que você não sabe com quem ta lhe dando e que esconde o que está sentindo. É um termômetro genuíno  do seu trabalho e eu gosto muito desse tipo de publico, que é o que a gente encontra aqui.

SiteUR: Quais os espetáculos você já trouxe à Salvador?

Fernanda Vasconcellos: Eu vim com uma peça que fazia, chamada “Foi você quem pediu para eu contar minha história” foi ano passado com outras três atrizes. Vim também com “Vidas Divididas” uma peça da Maria Adelaide Amaral que o Marcos Paulo dirigiu.

SiteUR: E você Cássio?

Cássio: Eu me sinto baiano de alma, sinceramente e modestamente falando. É uma cidade que sempre me recebeu muito bem. É uma energia única e sem igual, olha que eu já viajei bastante. É uma energia que eu não sei explicar, em poucos lugares  no mundo que tem uma energia como essa.

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Cássio Reis, Fernanda Vasconcellos e Beto Pimentel no Paraíso Tropical por Uran Rodrigues

 

SiteUR:  Hoje no Paraíso Tropical, que você conhece tão bem, o que vai apresentar à Fernanda?

Cássio Reis:  O Paraíso é uma maravilha, amo tudo, desde a caipirinha frozen, tanto com cachaça como com vodka, siri, moqueca muito especial com aratu, biriribi, pimenta e o lugar que tem essa Mata Atlântica, é uma experiência única. Conheço Beto há muito tempo e quem vier aqui precisa conhecer o pomar e ouvir um pouco das histórias desde chef incrível.  Aqui é como ir ao Farol da Barra.

SiteUR: Falou em Farol , lembrou de imediato no Carnaval de Salvador. Quais foram as suas histórias e experiências na folia baiana?

Cássio Reis: São inesquecíveis. Cada ano uma energia maravilhosa, esse ano não pude vir, sinto saudade. Sinto muita saudade e sou muito apaixonado. Espero voltar em breve.

Fernanda Vasconcelos: Eu fico imaginando, pois conheço o Pelourinho e já escutei o Olodum ali e olha que tem uma força mágica. Penso como deve ser o Carnaval por ali, você fica embriagado com a energia, um êxtase doido. O Carnaval deve ser uma loucura.

Cássio Reis: Vou te trazer amor ( pintou um clima de romance entre eles).

 

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SiteUR: Sobre o “Enfim, nós”, vocês tiveram algum tipo de receio de encenar um texto que já passou por Bruno Mazzeo, Ricardo Tozzi, Maria Clara Gueiros e Fernanda Rodrigues, dentre outros casais de atores?

Fernanda Vasconcellos: Fiquei muito receosa, pois não sabia se eu teria essa capacidade, onde o profissional tem que falar mais alto do que a vida pessoal, afinal de contas a peça trata das relações pessoais.  E outra, eu não gosto de expor os meus relacionamentos, a vida pessoal é uma coisa e a profissional é outra. Tinha um certo preconceito em fazer algo com ele, foram vários ‘serás’ que coloquei em questão e que depois fui ver que era uma grande bobagem minha e eu não tinha como tirar conclusão de algo que não tinha vivido. Precisaria passar por isso para entender se queria passar por isso ou não. Tem sido super positivo, profissionalmente e pessoalmente. Por mais que estamos nos expondo, até na divulgação da peça, mesmo assim conseguimos ter nossa intimidade.

Cássio Reis:  Independente do trabalho ser com a Fernanda, como nesse caso, todos os trabalhos você coloca pontos favoráveis e desfavoráveis, o por que de aceitar e o por que de não aceitar. Esse trabalho é um novo desafio, só que um desafio diferente. Tinha acabado de sair de uma turnê, fiquei dois anos com uma peça, ela estava em cartaz com outra peça, mas decidimos tentar e tem dado certo.

Fernanda Vasconcellos: Cássio também tem qualidades artísticas que eu gosto, ele é muito engajado nos projetos dele, ele estuda  é comprometido. Parei para pensar e questionei por que não fazer com ele? Um texto bacana, que vários outros atores que eu gosto já fizeram, então fazer uma peça que tem  9 ou 10 anos em cartaz fazendo sucesso, com certeza alguma coisa de boa ela tem e uma delas é a identificação imediata com o público. Não é só uma comédia romântica, um blá blá blá, um caça níquel..

SiteUR: Em Salvador, pela 17ª edição do Catálogo Brasileiro de Teatro, o que o espetáculo “Enfim, nós” , tem o que de especial?

Cássio Reis: Ela tem texto surpreendente e muito bem escrito, que funciona, atemporal  e que fala da relação humana. Temos uma equipe muito boa que nos dá base, a nossa produtora já faz o espetáculo há dez anos, cuidando de todos os detalhes, além da produção local, aqui assinada por Fred Soares Produções. O teatro é arte mais pura e viva que existe. Posso falar a mesma coisa de diversas formas e isso é o mais bacana. Por isso, importante que as pessoas compareçam ao teatro por ser uma experiência única. Tivemos na sexta um espetáculo incrível com casa cheia, teremos ainda hoje(ontem, 12) e amanhã (hoje, 13) também aqui em Salvador. Esperamos vocês.

 

Serviço

O QUE: “Enfim, nós” com Cássio Reis e Fernanda Vasconcellos

ONDE: Teatro Isba, Ondina, Salvador

QUANDO: Última apresentação neste domingo (13) às 20h

QUANTO: R$66 (inteira)

ONDE COMPRAR: Ingresso Rápido ou na bilheteria do teatro ISBA

 

Academia da Crise: Para Cada Problema, uma Solução?” de 24 de setembro a 08 de novembro no Casarão do Museu de Arte Moderna da Bahia por Laís Matos

O Museu de Arte Moderna da Bahia propõe a Academia da Crise: Para Cada Problema, uma Solução?, uma ocupação no Casarão do MAM-BA, iniciando hoje(24) até o dia 08 de novembro, discutindo aspectos e soluções possíveis para todo tipo de crise, por meio de mostra de obras e documentação do acervo, debates, exibição de filmes e oficinas, envolvendo diferentes agentes da sociedade.

“Se um problema pode ser apresentado, então uma solução para ele deve existir”, afirma Marcelo Rezende, diretor do MAM-BA, que questiona: “Como lidar com a crise econômica a partir de sua dimensão humana?”

O público poderá conferir obras de artistas como Ramiro Bernabó (“Escritório”), Maxim Malhado (“Tranca-Rua”), Nino Cais (“Pitoresca Viagem Pitoresca”), Michelangelo Antonioni (“Chung Kuo”), além de documentação do acervo, que relata as relações do Museu em diferentes instâncias e em diferentes períodos, desde os anos 1960.

O projeto é fruto de pesquisas curatoriais e museológicas do MAM-BA, e aborda as experiências baiana e brasileira nas questões que nos afligem hoje e desde sempre. Na sua programação a Academia da Crise propõe diálogos com articuladores de diversas áreas, em processos colaborativos.

A programação completa no site do MAM-BAHIA.


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