sábado, 15 junho 2024
Mariposa Itaigara
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Deus é Brasileiro

Foto de Felipe Costa

“Com bases refinadíssimas e palavras intensas, Rod enriquece o panorama da nova criação de música no Brasil”, opina Caetano Veloso 

“Deus É Brasileiro é um álbum que não poderia deixar de me tocar: sou o cara que gritou “samba-rap” em Língua, no Velô de 1984. Rod vai fundo nessa experiência, fazendo ir fundo o que ali era apenas um jogo de palavras que se queria sugestivo. Com bases refinadíssimas e palavras intensas, Rod enriquece o panorama da nova criação de música no Brasil.”, a opinião de Caetano Veloso ilustra a grandiosidade do novo projeto do cantor e compositor ROD.

Após algumas experimentações sonoras, o rapper ROD, um dos fundadores e membro do grupo 3030, lança seu álbum de estreia na carreira solo “Deus é Brasileiro”, mesclando elementos do rap com a ginga do samba. O álbum que conta com a produção musical assinada por Rodrigo Summer e Vitor Reis, chega compilado em nove faixas que serão lançadas no próximo dia 24 de novembro nas plataformas de música via selo TAS Records e Ninja Muzik.

É com esse trabalho que ROD aprofunda seu projeto solo trazendo uma estética sonora fruto de sua vasta pesquisa musical. “Comecei a carreira em 2020 e lancei alguns mixtapes, que foi o tempo de experimentar e me encontrar na carreira solo. E agora eu achei que seria o momento de lançar Deus é Brasileiro, que eu tinha achado uma sonoridade, um caminho legal para minha carreira, por isso que é o meu primeiro disco”, contou.

Político e repleto de reflexões, o disco traz à tona discussões filosóficas e sociológicas, como a religião, a realidade do trabalhador, paternidade, entre outros para a realidade do povo brasileiro fazendo com que cada música do álbum soasse como um manifesto. “Deus é Brasileiro” também é uma alusão ao filme homônimo, como também à nossa vasta riqueza cultural.

O álbum incorpora elementos clássicos do hip hop como os samples, que está presente na faixa “O que se leva”, com o sample do Tom Zé, ou na última música do álbum “Jardim do Éden”, que traz uma estrutura de storytelling, com uma letra que conta uma história do início ao fim sem refrão. “Então tentei trazer algumas coisas do rap como já vinha fazendo nas mixtapes, que tb são da cultura do hip hop”, completou ROD.

“Igrejas e Terreiros”, que é a faixa que abre o disco e conta com a participação de Rafa Kabelo, traz a experiência do rapper, evidencia o sincretismo religioso apresentando uma dualidade entre Santa Teresa e Iemanjá. Já “O que se leva”, que conta com sample do Tom Zé, além das participações de Hélio Bentes e Rashid, foi a música que foi trilha do jogo FIFA e aborda uma temática sobre dor, a superação dos obstáculos.

“Tambores”, que foi composta em 2022 antes das eleições, chega com uma pegada mais política, influenciada pelo cenário brasileiro desde 2018 e também traz a participação de Rafa Kabelo. “Deus Dará”, que foi lançada como single, chega na estética do drill, e conta com a participação do rapper MV Bill, debatendo também a dualidade das religiões.

 “Fala para mim” aborda a questão tecnológica, como as pessoas enxergam a tecnologia como Deus, fazendo um paralelo com esse lugar que a religião ocupa. “Sai Zika” é a crítica social à realidade do cidadão comum, do cidadão brasileiro. “É uma música que traz um pouco da minha realidade, sobre a minha vida antes da fama e da paternidade. Fiz pensando nas pessoas que se identificariam com o corre que precisamos fazer e que já fiz muito”, completou.

Com a participação de Jovem CH, a faixa “Nós 2/Calor do momento”, é uma faixa mais experimental. “Essa é uma canção que traz uma estética diferente das demais, onde quis apresentar um pouco da minha versatilidade artística por seu primeiro disco. Essa talvez seja minha música mais moderna com autotune.”, contou. “Imagina” já mostra o caminho do fim do disco e traz uma pegada mais positiva, em tom de esperança, contando ainda com a participação de Dona Nyna.

E, para fechar, “Jardim do Éden”, narra a história de um cara que tem dinheiro e nega ajuda a quem precisa e essa pessoa é Jesus, representando o imaginário brasileiro e fechando a narrativa de toda a crítica construída neste trabalho.


SA Agência Digital