sexta-feira, 7 outubro 2022
Maria Mata Mouro 1
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Boa Morte

Uma verdadeira imersão na ancestralidade preta. Energia, força e fé. A festa da  Boa Morte em Cachoeira no Recôncavo Baiano carrega tudo isso e muito mais, numa trajetória centenária de ocupação urbana, passando por casas, prédios e pontos importantes da histórica cidade, fazendo um movimento de memoria e reverberação dos ideais de vida e libertação.

“As pessoas falam de escravidão de uma forma tão natural… mas a escravidão foi uma coisa tão séria que o negro não acreditava, nunca acreditou na libertação, sabia? Depois de estar escravizado, ele nunca acreditou que teria liberdade. O negro só acreditava na verdadeira liberdade após a morte. Por isso, Boa Morte. Naquele processo, ele pedia pra morrer, porque acreditava que, morrendo, seu espírito seguiria livre para a África. A morte, para ele, seria a libertação. Por isso que eu falo: a África sempre celebrou a Morte, a Morte é um estado de liberdade. (…)” Valmir Pereira dos Santos, em texto contido no livro Nós Os Tincoãs.

Dois anos se passaram e em 2022 é marcado pelo retorno da celebação da festa da Boa Morte, uma das principais festas religiosas do Brasil com mulheres vestidas em trajes de gala e segurando velas, chamando a atenção de turistas, fotografos, personalidades e uma multidão ocupando as ruas e monumentos históricos da cidade para conferir de perto toda magia de uma festa preta.

Os símbolos da Boa Morte (cajado, tocha e brasão), roupas, comidas e rituais fazem menção a essa passagem espiritual do Aiyê ao Orun – em iorubá, Aiyê é a Terra ou o mundo físico, paralelo ao Orun, mundo espiritual. Segundo as próprias irmãs da Boa Morte, a devoção à Nossa Senhora da Boa Morte surgiu vinculada a um pedido pelo fim da escravidão feito pelas africanas à Nossa Senhora. Os escravos pediam proteção e uma morte tranquila, sem martírio. Logo, alforriados e livres das agruras da escravidão, comemoraram o dia de Nossa Senhora da Glória com comidas e danças na sede da Irmandade.

Uma imersão pelo Recôncavo

Muito mais que uma festa, a Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte de Cachoeira, com todas suas peculiares funções, representa a resistência da mulher negra no Brasil.

Durante o final de semana da Boa Morte, uma verdadeira imersão pela história do Recôncavo baiano, mais precisamente nas cidades de Santo Amaro e Cachoeira será realizada pelo Site URAN, levando um público limitado para vivenciar a cultura e belezas naturais da região.

Cachoeiras como Serra DÀgua e Urubu em Santo Amaro e vivenciar o cortejo da Boa Morte estão na programação preparada pelo agitador cultural Uran(eu). Mais informações e reservas de hospedagem translado e toda vivência através  do 71 9 9876 3315(Zunk).

Descrição: Manifestação característica da religiosidade popular que acontece todos os anos na cidade de Cachoeira, no Recôncavo baiano. A festividade se inicia no dia 13 de agosto, dia dedicado às irmãs falecidas. Nestes dias as irmãs vestem-se de branco, saem em procissão carregando a imagem postada sobre um andor rumo a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário. No segundo dia(14), com a imagem de Nossa Senhora da Boa Morte, as irmãs saem da sede da Irmandade em procissão noturna, carregando velas, entoando cânticos proferidos durante o percurso fazendo menção à dormição de Nossa Senhora. O dia 15 de agosto é dedicado a Nossa Senhora da Glória. A procissão sai pela manhã da sede da Irmandade, seguida pelas filarmônicas locais. Levam flores, carregam o andor de Nossa Senhora da Glória até a Igreja Matriz, onde uma missa é celebrada, e quando acontece a transferência dos cargos, com posse da nova comissão de festa. A festa de prolonga até o dia 17, com muito samba de roda e uma farta ceia durante os cinco dias de festa.

Fonte IPAC

 


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