
O comunicador e artista baiano Spartakus, natural de Itabuna (BA), lançou o álbum visual “Livre com Fiança”, uma obra afrofuturista que funde música, poesia e cinema em um filme-ritual sobre autoconfiança, ancestralidade e libertação. Escrito e dirigido pelo próprio artista, o projeto é uma imersão sensorial e espiritual guiada pelos orixás, transformando feridas pessoais em potência poética.
Composto por seis músicas e sete poemas, o trabalho nasce como resposta à sensação de aprisionamento causada pelos algoritmos das redes sociais, que moldam comportamentos e restringem a criatividade. Spartakus, homem negro e gay, reflete sobre o período em que buscava autoestima por meio de likes e seguidores — uma armadilha que, segundo ele, oferece apenas “uma liberdade condicionada”.

“É a ilusão de que estamos livres, quando na verdade seguimos com a criatividade algemada. Eu quis transformar essa sensação em arte e em cura,” afirma o artista.
O filme é uma produção da Haus of Spartta, produtora independente de Spartakus, em parceria com a Phono Filmes e o Butterfly Coletivo. Os clipes contam ainda com direções de nomes importantes do audiovisual contemporâneo, como Ricardo Souza (vencedor do VMA por “Funk Rave”, de Anitta), Marco Antonio Ferreira (diretor de “Exu e a Ordem do Universo”) e Breno Shinn.
Musicalmente, o EP dialoga com rap, pop, reggae, samba e MPB, com produção de um time que reúne referências da música brasileira contemporânea: RDD (ÀTTØØXXÁ), Faustino Beats, Alan du Grave, Filipe Gomes (Aláfia), Bruno Costa (diretor musical de IZA) e DJ Maxnosbeatz. O álbum foi pensado como uma narrativa em seis atos, cada faixa funcionando como uma etapa da jornada espiritual do artista.
Entre as músicas, sete poemas originais funcionam como portais e costuras narrativas — cordéis inspirados pelo tarot e pelos orixás, aprofundando a atmosfera mística e épica da obra.
- “Feitiço” — trata das feridas da rejeição e do preconceito, transformando dor em autoafirmação.
- “Lenda” — abre caminhos para a autoestima e o direito de acreditar no próprio potencial.
- “Missão” — celebra a resiliência e a trajetória de Spartakus do sul da Bahia ao Rio e São Paulo.
- “Paciência”, com participação do rapper Colibri — reflete sobre o tempo das coisas e o florescer com calma.
- “Liberdade” — questiona os discursos de empoderamento que isolam, apontando a coletividade como direção fundamental.
- “Respeita!” — encerra o álbum com uma catarse: um hino de respeito próprio e coletivo.
“Livre com Fiança” é autobiografia, rito de cura e manifesto. Um convite para reconhecer feridas, honrar ancestrais e recuperar a autoestima em um mundo que frequentemente aprisiona corpos negros e dissidentes por meio de ilusões e inseguranças.
“Quero que as pessoas se vejam nessa jornada e entendam que a libertação verdadeira não vem da aprovação dos outros, mas da coragem de existir,” diz Spartakus.
