
Durante o Julho das Pretas, mês dedicado à valorização da trajetória, da produção intelectual e da luta das mulheres negras, a educação ocupa um papel central na construção de uma sociedade mais igualitária. É nesse cenário que a coleção Afrobetos, desenvolvida pela educadora e pesquisadora baiana Bia Barreto, vem se destacando como uma ferramenta para fortalecer o afroletramento e transformar a educação antirracista em prática cotidiana nas escolas.
Criados para apoiar a implementação das Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008, os Afrobetos oferecem uma metodologia que aproxima estudantes da História e Cultura Afro-Brasileira, Africana e Indígena por meio de materiais didáticos acessíveis, lúdicos e conectados às experiências do cotidiano escolar.
A coleção reúne diferentes publicações, entre elas Afrobeto de Saberes, Afrobeto de Sabores, Afrobeto Marinho, Afrobeto de Personalidades Negras, Afrobeto de Adinkras Africanas, Afrobeto de Folhas & Ervas e Afrobeto de Expressões de Axé, além das linhas Caligrafias Afrobetizadas, Colorigrafias Afrobetizadas e AfroGoods. Novos títulos, como Afrobeto de Mulheres Negras, Afrobeto de Yalorixás da Bahia e Afrobeto de Entidades de Axé, ampliam continuamente o projeto.
Os materiais já estão presentes em mais de 100 escolas de diferentes municípios brasileiros, contribuindo para fortalecer a autoestima, o pertencimento, a valorização da ancestralidade e o enfrentamento ao racismo desde a infância.
Além da produção dos livros, Bia Barreto também desenvolve formações para professores, consultorias e palestras voltadas à educação antirracista. O objetivo é oferecer estratégias para que as legislações sejam efetivamente incorporadas aos currículos escolares, tornando o ensino da história e da cultura negra e indígena parte permanente do processo educativo.
Mestre em AfroEducação, doutoranda em Dança pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e fundadora da Afro.didáticos, Bia Barreto defende o afroletramento como ferramenta de transformação social e construção de identidades, ampliando o acesso a referências positivas da cultura afro-brasileira dentro das salas de aula.
