
Crédito: Gabriela Palha
Cantor baiano de pagotrap que arrasta multidões no Carnaval de Salvador, Cristian Mugunzá é o personagem do novo filme de Ary Rosa e Glenda Nicácio, “Quem tem com que me pague, não me deve nada”, que segue em cartaz nos cinemas brasileiros. O personagem interpretado por Renan Motta dá voz ao EP “É Festa do Povão” com a trilha do filme, disponível nas plataformas digitais — ouça aqui. Em Salvador, o público pode assistir ao filme no Cineflix do Shopping Bela Vista; no UCI Orient Cinemas do Shopping da Bahia; além da SaladeArte – CineMAM, no Museu de Arte Moderna da Bahia; Cine Glauber Rocha, na Praça Castro Alves; e Cine Lankiana, em Cajazeiras.
Unindo em cena os protagonistas Renan Motta e Rodrigo Pandolfo (Minha Mãe é uma Peça), que vive Henrique, um cineasta paulista que está passando por uma fase de frustrações profissionais, o filme tem a trilha assinada por Moreira, compositor soteropolitano radicado no Recôncavo Baiano, onde o longa foi gravado. “Perco o Sentido”, quinta faixa do EP, foi a primeira música a ser lançada.
“Quem tem com que me pague, não me deve nada” acompanha Henrique, um cineasta paulista cuja vida parece ter perdido a cor e vive entre lembranças de prêmios conquistados no passado e a realidade dura de uma conta bancária vazia. Tudo começa a mudar quando seu caminho cruza com o de Cristian Mugunzá, um artista solar, expansivo, por vezes histérico e irresistivelmente carismático, reconhecido não apenas pelo talento, mas pela gentileza e humildade com que trata todos ao seu redor. No calor histórico e afetivo do Recôncavo Baiano, dois mundos completamente diferentes se encontram. Do choque entre esses universos nasce uma história cheia de humor, encontros improváveis e afetos.
Para a trilha, Moreira explica que o processo de composição se deu em diálogo direto com o roteirista, que já aponta, dentro da obra, quem é esse sujeito, qual a sua voz, seus atravessamentos, sua posição no mundo. “É talvez o processo mais importante, o mais difícil e, ao mesmo tempo, o mais prazeroso. Nele reside a possibilidade de materializar ainda mais o que é ficcional. Assim, a partir do universo do personagem — suas vivências, seu vocabulário, suas marcas — vamos extraindo, pouco a pouco, o seu existir artístico”, conta.
A segunda etapa consiste na construção de uma estética sonora particular, que bebe fortemente das referências do produtor musical Nosllyah (Ailson Guedes), especialmente em seu trabalho com a fusão entre pagode baiano e Lo-fi. “Ao ouvir a produção de Ailson, ficou evidente que ele não apenas dialogava com o projeto, mas também operava como uma referência central, ao articular elementos de sua experiência interiorana com o pagode baiano em uma estética sonora digital”, explicou Moreira, autor da trilha de outros filmes da dupla, como “Mugunzá” — com as vozes de Fabrício Boliveira e Arlete Dias —, “Voltei!” e “Na Rédea Curta”.
