Comer também virou experiência digital: como as redes influenciam escolhas gastronômicas

Fotos, vídeos, avaliações e apresentações dos pratos ajudam a despertar o desejo do consumidor antes mesmo do pedido

A experiência de comer começa cada vez mais cedo, antes mesmo de o pedido ser feito. Entre vídeos curtos, fotos, avaliações e recomendações compartilhadas nas redes sociais, o consumidor passou a conhecer restaurantes e produtos primeiro pelos olhos. A comida, que antes era descoberta principalmente pelo sabor, ganhou também uma dimensão visual e passou a ocupar espaço como conteúdo, desejo e experiência digital. No universo da gastronomia, os hambúrgueres são um exemplo desse movimento. Montagem, textura, ingredientes, corte do pão e apresentação podem despertar curiosidade e influenciar a decisão de compra antes da primeira mordida. Em Salvador, marcas como Zevo Burger e Zeca Smash Burger apresentam propostas distintas dentro desse cenário: enquanto a Zevo aposta na combinação entre tradição, simplicidade e sabor; a Zeca explora combinações e apresentações que valorizam a experiência gastronômica.

A influência das redes, porém, vai além do conteúdo produzido pelas próprias marcas. Vídeos de consumidores, avaliações em aplicativos, indicações de amigos e registros compartilhados durante uma refeição ajudam a construir a percepção sobre um determinado produto. Assim, uma hamburgueria pode ser descoberta por alguém que nunca esteve no estabelecimento, mas que se interessou pelo que viu no feed. “Hoje, a experiência começa antes de o cliente chegar ao produto. Ele vê, pesquisa, compara e cria uma expectativa. Por isso, cada detalhe passa a fazer parte dessa experiência”, pontua Marcus Calheira, CEO das marcas Zevo Burger e Zeca Smash Burger.

A transformação também modifica a maneira como os estabelecimentos pensam seus produtos. Não se trata apenas de criar algo que tenha boa aparência para uma fotografia, mas de compreender que a apresentação passou a integrar a percepção de qualidade e valor. No delivery, essa lógica ganha ainda outra camada: embalagem, organização dos ingredientes e conservação precisam contribuir para que a experiência imaginada na tela se reproduza com o consumidor final.

Mais do que uma mudança na forma de divulgar restaurantes, a presença da gastronomia nas redes sociais revela uma transformação na própria jornada de consumo. Entre o momento em que surge a vontade de comer e aquele em que a primeira mordida acontece, existe agora uma etapa cada vez mais relevante: o desejo construído pela imagem. Nesse contexto, o desafio das marcas é fazer com que aquilo que desperta interesse na tela também corresponda à experiência entregue no prato. “Se o primeiro contato acontece pelos olhos, é o sabor que precisa confirmar a expectativa criada, para fidelizar. A imagem pode despertar a curiosidade  e levar o consumidor até o pedido, mas é a experiência completa que faz com que ele queira voltar”, conclui Marcus.