Acarajé da Carol leva sabores da Bahia para Lisboa e mantém tradição do dendê do outro lado do Atlântico

Nascida em Itapuã, Carol vive há 20 anos em Portugal e comanda o Acarajé da Carol, que hoje possui duas unidades em Lisboa e uma em Salvador

Foi entre o dendê, o feijão-fradinho e as tradições das baianas de acarajé de Itapuã que Carol começou uma história que, anos depois, atravessaria o Atlântico. Nascida e criada em Salvador, ela aprendeu ainda jovem os segredos da culinária baiana dentro da própria família e começou a trabalhar como baiana de acarajé na adolescência.

Aos 18 anos, sua trajetória ganhou um novo destino. Um casal português que visitava Salvador experimentou seu acarajé e a convidou para morar em Portugal. Carol aceitou e, há cerca de 20 anos, estabeleceu-se no país, onde continuou trabalhando com gastronomia e mantendo a Bahia como principal referência de sua cozinha.

Durante anos, vendeu acarajé uma vez por semana na Casa do Brasil, em Lisboa. A experiência abriu caminho para um projeto próprio: o Acarajé da Carol, restaurante criado no Bairro Alto, região central da capital portuguesa cujas ruas remetem, para ela, ao Centro Histórico de Salvador.

O negócio cresceu e atualmente conta com duas unidades em Lisboa, sendo uma delas na Rua de Santa Marta, 78, além de uma operação em Salvador, no Mercado do Rio Vermelho.

Mesmo a milhares de quilômetros da Bahia, Carol busca preservar características da receita que aprendeu em Salvador. O preparo do feijão utilizado no acarajé e no abará é feito artesanalmente, enquanto o camarão seco servido nos pratos vem da capital baiana.

O cardápio amplia essa conexão com a gastronomia da Bahia. Além de acarajé e abará, aparecem receitas como moqueca de peixe, moqueca mista, moqueca e bobó de camarão e bolinho de estudante. Feijoada aos domingos, escondidinhos, carne do sol com aipim e linguiça com aipim também fazem parte das opções.

Mais do que levar uma receita brasileira para Portugal, a trajetória de Carol acompanha um movimento de preservação e circulação da cultura alimentar baiana. Duas décadas depois de deixar Salvador, ela mantém o dendê como elo entre as duas cidades que passaram a fazer parte de sua história.