#Artigo: O beijo na novela Babilônia e o Brasil dos políticos conservadores

#Artigo: O beijo na novela Babilônia e o Brasil dos políticos conservadores

Foto: Reprodução

A estreia da novela das 21h da Rede Globo, Babilônia, deu o que falar essa semana. Em apenas um capítulo, o folhetim reuniu o que há de pior no ser humano – inveja, ódio e rancor-, ao sentimento mais belo que podemos produzir: amor. Mas, estranhamente, não foram os sentimentos mais vis que criaram grande repercussão na imprensa e nas redes sociais. O beijo protagonizado entre as personagens das atrizes Fernanda Montenegro e Nathália Timberg causou em alguns telespectadores o mesmo ódio e rancor que as artimanhas das vilãs vividas pelas brilhantes atrizes Glória Pires e Adriana Esteves. Em contrapartida, uma parcela da audiência da novela vibrou com a cena, considerada antológica pelos críticos de televisão.

Há duas décadas, em A Próxima Vítima (Rede Globo, 1995) lamentamos a abordagem da homossexualidade e o desfecho dos personagens vividos por André Gonçalves e Luigi Palhares. Antes disso, em Vale Tudo (1988), as atrizes Cristina Prochaska e Lala Deheinzelin davam o primeiro passo, ainda que lento, para que hoje, em 2015, aquela pergunta “Vai ter beijo?” já tenha sido respondida na largada.

Mas por que algumas pessoas receberam a cena como maus olhos? A resposta pode ser dupla. É a primeira vez que a homossexualidade na terceira idade é abordada na TV, em horário nobre e, por fim, líderes religiosos e políticos com seus discursos vazios de sentido que, querem colocar suas verdades goela abaixo da população. Tanto que propuseram um boicote ao folhetim. Incluam aí na lista o senador Magno Malta, investigado na operação Sanguessuga, e claro, o deputado federal Jair Bolsonaro, declaradamente contra as liberdades democráticas. Avaliem quanto tempo esses gestores públicos perdem com a ficção. O direito de discordar é legítimo. O poder de não acompanhar a novela está nas mãos do telespectador. O controle remoto, aparelho cheio de teclas quem vem junto com a televisão, lhe confere esse direito.

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O que está em questão, é o fato de esses “representantes do povo” se julgarem guardiões da “Família Brasileira”. Não, eles não representam a família brasileira, pois estes não sabem quem ela é, quais suas cores e suas dores. Coincidentemente, nessa semana um acórdão do Superior Tribunal de Justiça (STF) reconheceu o direito à adoção e denomina casais homoafetivos como família. Ou seja, os políticos fecham os olhos, ignoram os anseios da sociedade. Assim como ignoram que uma grande parcela da população vive sem saneamento básico, uma gente invisível, que esses políticos fingem não existir, num país em que, apesar da riqueza que produz (a corrupção da Petrobras é prova disso), figura entre os que possuem os mais baixos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH). Acontece que obras e projetos significativos não lhes dão a repercussão midiática que tanto buscam. Convocar seus rebanhos para fazer boicote às novelas da Rede Globo é fácil. Difícil mesmo é propor projetos significativos e que tragam melhorias na qualidade de vida dos seus seguidores.

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*Toda sexta-feira tem artigo novo aqui.